Segundo a Defesa Civil, pelo menos 5 mil habitantes das regiões foram afetados
Foto: O vento forte causou destelhamentos em Panambi. A tempestade que atingiu a região das Missões e o Noroeste na madrugada desta terça-feira (29) provocou estragos e transtornos em diferentes municípios gaúchos. De acordo com meteorologistas, o episódio foi provocado por uma supercélula, tipo de tempestade severa caracterizada pela capacidade de causar vendavais, queda de granizo e até tornados.
As coordenadorias municipais e regionais da Defesa Civil ainda contabilizam os estragos causados na região. De acordo com o último boletim do órgão, divulgado às 8h30min desta terça, cinco municípios das Missões e do Noroeste registraram danos materiais e, pelo menos, 5 mil pessoas afetadas (confira a lista).
O episódio severo foi causado pelo ciclone extratropical que se forma próximo do Rio Grande do Sul e pela frente fria associada ao fenômeno, garante Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Segundo o especialista, já era previsto que essas regiões registrassem vento forte e queda de granizo:
— Com o ciclone extratropical que se formou sobre o Uruguai, tivemos, na segunda-feira, a intensificação do aporte de umidade naquela área. O tempo até abriu durante a tarde, dando tempo de criar mais instabilidade. Tudo isso deixou as tempestades, que já eram previstas, mais severas.
O meteorologista da Climatempo Bruno Zanetti explica que o que tornou a tempestade mais grave não foi o volume de chuva, mas sim a intensidade do vento e a queda de granizo:
— Não temos nenhum registro de rajada de vento extrema porque isso depende de a tempestade passar exatamente nos pontos onde têm estações meteorológicas e, às vezes, isso não acontece. Mas, com base nos danos que vimos, daria para estimar que, em alguns pontos, o vento pode ter passado dos 100km/h — avalia o especialista, que também atua no Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado.
Como esses fenômenos meteorológicos têm se tornado relativamente frequentes no RS, é comum surgirem dúvidas sobre o que ocorreu em casos como este. Embora ainda seja cedo para descartar a ocorrência de tornado ou microexplosão, meteorologistas já conseguem afirmar que o sistema na área das Missões e Noroeste tinha características de uma supercélula.
— Supercélula é uma tempestade que tem uma organização maior. Existe uma rotação de corrente de ar dentro dela, então ela é mais organizada. Essa tempestade dura mais tempo e consegue causar fenômenos mais severos, como granizo grande, ventos extremos e até tornado, em situações mais especificas. A queda de granizo no sábado (26) em Santiago, no norte do Estado, por exemplo, foi causada por uma supercélula — acrescentou Zanetti.
“As tempestades causaram ventos severos e granizo em alguns pontos, mas até o momento não é possível confirmar a ocorrência de tornados ou microexplosões na região, ainda não há evidências claras e suficientes para isso”, informou a Defesa Civil do Estado em nota.
Lopes, da UFSM, pontua que ainda é cedo para afirmar se houve um tornado ou uma microexplosão. Uma das formas de diferenciar esses fenômenos é analisar o padrão de danos deixado pela destruição nas áreas atingidas:
— No caso de microexplosões e vendavais, o vento forte causa destelhamento e quedas de árvores para a mesma direção, é mais organizado. Já nos tornados, é um pouco mais bagunçado, as árvores caem em diferentes direções, os objetos são arremessados em sentidos diferentes e com uma certa distância.
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