Vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians deixa o time de Paulo Pezzolano perto das quartas de final, mas histórico, ambiente adverso e pressão em São Paulo
Foto: Inter fez 2 a 0 no Corinthians na partida de ida das oitavas de final.
Ricardo Duarte / SC Internacional A vantagem está posta. O 2 a 0 que fez sobre o Corinthians no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil deixam o Inter em boa condição para avançar. Mas isso não significa que já passou o que terá facilidade. O futebol está cheio de exemplos de equipes que viram bons resultados se desmancharem na volta. A missão de Paulo Pezzolano é confirmar a classificação. O dilema é: como se portar na quinta-feira (6), a partir das 20h?
Ninguém vai dizer que foi ruim ter vencido por 2 a 0, é óbvio. O que precisa ser frisado é que nada está decidido. O Corinthians mesmo ostenta algumas viradas assim em sua história. Nas últimas três vezes em que perdeu por dois ou mais gols de diferença, passou em todas, contra Atlético-GO, Atlético-MG e Remo, entre 2022 e 2023. Nos anos mais recentes, só o Flamengo de Filipe Luís abriu vantagem na ida (1 a 0 em 2024) e sustentou na volta, 0 a 0.
A história, porém, mostra que o Inter também sabe jogar com o placar da ida a favor. Nas 15 vezes que fez 2 a 0 ou mais, voltou classificado. Nunca foi eliminado.
Para quinta, será preciso administrar. Fernando Diniz, técnico do Corinthians, pediu que a torcida confie no potencial do time:
— Primeira coisa é acreditar, não é uma situação fácil. Vamos procurar fazer nosso melhor. Já fizemos ótimas partidas em casa. O time tem potencial para repetir, mesmo sabendo que o Inter tem uma grande equipe, bem treinada.
Pezzolano acredita que Diniz deixará o time mais ofensivo. E que, possivelmente, sairá com Pedro Raul desde o início para forçar a bola aérea.
— Temos de ter cuidado porque eles vão ser mais verticais, vão colocar mais bola dentro do área desde o início. De resto, imagino um confronto similar, eles vão ter a bola, vão procurar os espaços que eles querem e nós vamos precisar de cabeça muito firme, consciente do que vamos enfrentar. Temos de estar muito fortes mentalmente. E se pudermos matar o jogo, matar o jogo. Encontrar o espaço para e fazer um gol rápido seria ideal, mas sabemos que não vai ser fácil ter esses espaços — declarou o treinador.
Uma coincidência positiva para os colorados é que na mesma fase, mas em 1992, o Inter também venceu a ida. Só que em São Paulo e por 4 a 0. No Beira-Rio, segurou sem sustos o 0 a 0 e avançou. O lateral-esquerdo e destaque daquele time era Daniel Franco, atual técnico do Pelotas.
Ele lembra que o resultado da ida foi definitivo, ainda mais por ter sido fora de casa. Por isso, vê diferença para agora. E analisa:
— O resultado de domingo dá confiança para o jogo da volta. Por isso, o Inter tem que fazer seu jogo, não pode ser uma equipe que vá se sentar no resultado porque é perigoso. Tem de saber a vantagem. O clube tem muitos campeões no vestiário, como Abel Braga, e Pezzolano vai saber passar para os atletas que têm de manter a pegada, manter a concentração, o nível alto, a organização. Foi um belo resultado, agora deve fazer o jogo de uma maneira segura lá, sabendo da pressão, da torcida fanática do lado oposto, da pressão externa e da pressão interna. É um jogo de superação e que vale muita coisa para o Inter, não só na Copa do Brasil mas também na sequência para o ano.
Daniel Franco tem razão nesse ponto. O Corinthians prepara um ambiente especial para enfrentar o Inter. Todos os ingressos foram vendidos e a tendência é de que 47 mil pessoas estejam em Itaquera. Além disso, o clube reclamou de arbitragem nas redes sociais e pressiona a CBF, no que o presidente colorado Alessandro Barcellos chamou de tentativa de condicionamento da arbitragem, em entrevista à ESPN.
São diversos adversários no caminho. Mas está 2 a 0 até agora.
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