Além de Karolayne, 13 anos, Patrícia Cristina Pereira tinha uma menina de 10 anos e gêmeos de nove meses
Foto: Patrícia foi assassinada em casa entre domingo (27) e segunda-feira (28).
Reprodução / Redes sociais Patrícia Cristina Pereira tinha 17 anos quando os pais foram mortos a tiros, em 2012. O crime aconteceu na localidade de Passa Sete, no interior de Candelária, onde eles viviam.
— Eram pessoas boas, simples, e todo mundo ficou revoltado. No dia do velório foi uma confusão. A guria (Patrícia), que ainda era menor de idade, precisou ir escoltada pela Brigada Militar porque nem a própria família queria que ela estivesse lá — recorda uma moradora da localidade, que pediu para não ser identificada.
A presença de Patrícia na despedida não era bem vista porque os autores do assassinato eram, à época, o namorado e o sogro dela. Eles acabariam condenados por duplo homicídio.
Na semana passada, na mesma localidade, Patrícia foi morta junto da filha Karolayne Cristina Costa, de 13 anos, fruto daquele relacionamento. As mortes delas ainda estão sob investigação e não há indícios de relação direta entre os casos.
Segundo relatos de pessoas próximas, na época, os pais de Patrícia não concordavam com o namoro da filha adolescente. Eles foram baleados enquanto trafegavam de motocicleta entre o centro da cidade e o interior. Mesmo depois disso, Patrícia manteve o relacionamento e teve Karolayne e outra menina, que hoje tem 10 anos.
Foi somente em 2015, após o companheiro ser preso, que ela rompeu a relação. Atualmente, o homem reside em Lajeado, no Vale do Taquari, e cumpre pena com tornozeleira eletrônica. O ex-sogro de Patrícia morreu na prisão, em 2015.
No início deste ano, Patrícia também encerrou outro relacionamento, a partir do qual nasceram dois bebês gêmeos. Os meninos têm nove meses e estavam sob os cuidados da babá no dia do crime. Atualmente, permanecem sob guarda provisória da avó paterna. Já a filha de 10 anos segue com esta babá, com quem vive desde os dois anos.
Eles estavam comigo. Fui atrás dela porque ela tinha combinado de buscar as crianças mas não apareceu. Quando a vi deitada na cama pela fresta da porta, senti uma dor no peito e não consegui entrar. Apenas pedi que chamassem a polícia.
BABÁ
Mulher de 58 anos que pediu para não ser identificada
A mulher conhecia Patrícia havia mais de 10 anos e também ajudou a cuidar de Karolayne.
— A Karolayne estava com ela, mas andava sem paradeiro ultimamente. Esta aqui, de 10 anos, eu praticamente criei. Ela foi deixando a menina comigo e, aos poucos, deixou de buscá-la. Agora tenho medo do que ainda possa acontecer. É tudo muito triste. Ainda estou em choque. Minha maior preocupação é com essa criança, com a cabecinha dela — desabafa.

Patrícia tinha um único irmão, hoje com 29 anos, com quem não mantinha boa relação. Ele prestou depoimento à polícia na última sexta-feira (2). O conteúdo do relato não foi informado. O irmão foi a terceira pessoa a depor desde a abertura do inquérito, na terça (29). A babá e uma mulher que trabalhava no bar do qual Patrícia era proprietária também foram ouvidas. Conforme a investigação, a funcionária deve ser reinquirida nos próximos dias.
O estabelecimento funcionava desde abril e fica ao lado do imóvel onde mãe e filha foram mortas, às margens de uma estrada de chão a cerca de oito quilômetros da cidade. Atualmente, o local está fechado.
Conforme o delegado que investiga o caso, Paulo César Shirrmann, a polícia espera que dados extraídos dos celulares das vítimas e imagens de câmeras ajudem a elucidar as mortes. Até o momento há três suspeitos, mas ninguém foi preso. A hipótese de feminicídio não é descartada.
— Continuam as investigações. Estamos tomando depoimentos e aguardando laudos — resumiu o delegado.
Além da Polícia Civil e da Brigada Militar de Candelária, a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santa Cruz do Sul auxilia nas investigações.
Fonte : GZH
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