Casas destelhadas e vias interrompidas: os estragos dos temporais no RS - Agora Já -

Casas destelhadas e vias interrompidas: os estragos dos temporais no RS



Frente fria trouxe granizo e ventania para uma centena de municípios gaúchos entre terça e quarta-feira. Danos mais graves foram registrados na metade norte

Foto: Mãe protegeu criança de dois anos dentro de guarda-roupa durante temporal e granizo na madrugada desta quarta-feira (4), em Passo Fundo. Arquivo pessoal / Divulgação
4 de novembro de 2026

A frente fria que passa pelo Rio Grande do Sul causou chuvarada, granizo e vendaval entre as tardes de terça (3) e quarta-feira (4). Segundo a Defesa Civil estadual, houve danos relatados em 102 municípios. A situação foi mais grave na metade norte.

Vinte e quatro pessoas tiveram ferimentos e há 327 fora de casa, entre desalojadas ou desabrigadas. Ao total, 47.096 pessoas foram afetadas pelos temporais, 6.373 casas ficaram danificadas, sendo 2.079 destelhadas e 10 destruídas. Não há registro de mortes.

Região Norte foi a mais atingida

Criança no guarda-roupa

O temporal que atingiu Passo Fundo na madrugada causou momentos de pânico. No bairro Santa Marta, a moradora Adriana de Fátima da Silva relata que colocou o filho de dois anos dentro do guarda-roupa para protegê-lo, depois que a casa teve o telhado parcialmente destruído pelo granizo. Adriana lembra do momento em que as pedras começaram a cair e danificaram o telhado da residência:

— Na hora que começou a cair as pedras, o nenê sentou na cama e começou a tremer, tava apavorado. Tive que colocar ele dentro do guarda-roupas, foi a única ideia que tive pra proteger ele.

Pista de rodovia cede

O trânsito na RS-463, rodovia que liga Tapejara a Coxilha, no norte do Estado, foi totalmente bloqueado na tarde desta quarta. A interrupção é no km 22, entre Tapejara e Vila Lângaro, onde o forte volume de chuva provocou o rompimento de uma galeria e fez a pista ceder. O Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informou que, assim que a chuva cessar, planejará a reconstrução da galeria.

Caminhão engolido

Na Terra Indígena Carreteiro, no município de Água Santa, um trecho de uma estrada rural cedeu e acabou engolindo um caminhão que passava na manhã desta quarta-feira. O veículo transportava 5 mil litros de leite. O motorista não se feriu.

Alessandro de Barros Bueno / Arquivo Pessoal
Caminhão que transportava leite caiu em cratera que se abriu na estrada. Alessandro de Barros Bueno / Arquivo Pessoal

Carro arrastado

Em Passo Fundo, um morador do centro teve o carro arrastado para dentro de um buraco aberto para uma obra. Uma nova tubulação havia sido instalada e coberta com brita e tapumes, mas o material foi levado.

— A chuva levou tudo de madrugada, e meu carro que estava estacionado foi sugado pela cratera que abriu — conta Francisco Freitas, 75 anos.

A situação também prejudicou o acesso às casas de Freitas e de uma vizinha.

Heloisa Gamero / Agência RBS
Carro foi arrastado para dentro de buraco aberto para obra. Heloisa Gamero / Agência RBS

Danos em 90% das residências

Segundo a Defesa Civil, mais de 2 mil casas foram destelhadas no RS durante os recentes temporais. Em Porto Vera Cruz, no noroeste do Estado, a estimativa da prefeitura é de que 90% das residências tenham sofrido algum tipo de dano nos telhados na manhã desta quarta. O município tem cerca de 1,5 mil habitantes. Árvores caíram e houve prejuízos em prédios públicos e veículos. No começo da tarde, toda a cidade estava sem energia elétrica.

Desinformação

Os temporais também acabaram sendo alvo de desinformação. Em Passo Fundo, circulou pelo WhatsApp um áudio que dizia que a Defesa Civil estava omitindo informações sobre o risco de um novo temporal, este muito mais forte, durante esta quarta-feira. A informação é falsa. A Defesa Civil municipal reiterou que não há qualquer omissão em relação à previsão do tempo ou atendimento à população.

Situação na Serra gaúcha

Entre os municípios mais atingidos pela chuvarada, rajadas de vento e granizo na Serra gaúcha está Nova Prata, que contabiliza 2,7 mil residências danificadas e 15 pessoas feridas. Passa Sete, na região Centro-Serra, também registrou estragos, com duas residências destruídas, 52 destelhadas e quatro pessoas feridas.

Já em Veranópolis, os maiores impactos foram registrados nas comunidades de São Valentim e São Roque, principalmente na produção agrícola. Em Paraí, a água invadiu diversas residências, principalmente em áreas mais baixas, e chegou à garagem do prédio da prefeitura, onde os veículos ficaram praticamente submersos.

Defesa Civil de Veranópolis / Divulgação
Granizo em Veranópolis. Defesa Civil de Veranópolis / Divulgação

Riscos ao fazer reparos por conta própria

A tentativa de minimizar os prejuízos provocados pelo temporal de granizo que atingiu Nova Prata, na madrugada desta quarta-feira (4), também levou moradores ao hospital. Foram registrados 18 atendimentos relacionados ao evento climático, incluindo pessoas que se feriram ao cair de telhados enquanto tentavam cobrir as casas com lonas. Segundo o Hospital São João Batista, os pacientes apresentaram luxações, escoriações e ferimentos causados por estilhaços de vidro.

O que causou a chuvarada?

A chuva forte foi causada por uma frente fria. O meteorologista Daniel Caetano, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), define frente fria como “uma região de encontro entre uma massa de ar mais quente e úmida com uma região de ar mais frio e seco”. O Estado vinha de dias quentes e úmidos, uma condição que os meteorologistas chamam de “pré-frontal”. Quanto maior a diferença de temperatura entre as massas de ar, maior a chance de ocorrerem tempestades.

A chuva vai continuar?

A chuva diminui, mas não cessa nesta quinta-feira (5) em solo gaúcho. A previsão do tempo aponta acumulados bem menores em relação ao que ocorreu entre terça (3) e quarta (4), mas alguma precipitação ainda deve ser vista em grande parte do Rio Grande do Sul.

Na madrugada, a previsão aponta para chuva fraca na Região Metropolitana, no Litoral Norte, na Serra, nos Vales e no Norte.

Durante o dia, há também a possibilidade de pancadas isoladas na Costa Doce, na Região Metropolitana e na Serra. Nas demais regiões, a tendência é de melhora no tempo.

Fonte : GZH 

Foto : Arquivo pessoal / Divulgação


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