Onda de violência que começou nesta terça-feira (13) terminou com três mortos e pelo menos 15 feridos em Benjamin Constant do Sul
Foto: O conflito foi registrado nesta terça-feira (13) na Terra Indígena de Votouro.
Bombeiros Voluntários de São Valentim / Divulgação O conflito registrado nesta terça-feira (13) na Terra Indígena de Votouro, em Benjamin Constant do Sul, no norte gaúcho, foi motivado por disputas políticas internas. A afirmação é do tenente coronel Maurício Paraboni Detoni, comandante do 13º Batalhão de Polícia Militar (13º BPM), de Erechim, que acompanha o caso.
Em entrevista ao programa Gaúcha Mais, da Rádio Gaúcha, Detoni relatou que a Brigada Militar foi acionada em meio ao desentendimento entre dois grupos da terra indígena. Três homens morreram no conflito e há registro de 15 feridos.
Segundo o tenente coronel, a primeira vítima, um homem indígena morto com dois tiros, pertencia ao grupo contrário ao cacicado. Ele foi atingido depois da saída da BM da área, por volta das 5h30min. As identidades não foram confirmadas até a publicação da reportagem.
— O cacique determina as políticas e eles devem ser seguidas, mas tem grupos que não concordam com eventuais atitudes e tentam tomar o poder, muitas vezes com violência — disse o representante da BM.
O território de 3 mil hectares reúne indígenas das etnias caingangue e guarani entre os municípios de Faxinalzinho e Benjamin Constant do Sul, no norte do Estado. A disputa envolve grupos rivais entre caingangues.

Na entrevista, o tenente coronel também relatou que a escalada no conflito fez com que o Batalhão de Choque da Brigada Militar fosse acionado. Por volta das 11h30min, as guarnições verificaram que o grupo contrário se dirigia ao cacicado com armas.
— A fim de repelir essa eminente e injusta agressão, houve a necessidade de se aproximar. Nessa aproximação, os indígenas efetuaram disparos de arma de fogo contra a Brigada Militar, o que foi revidado e acabou havendo esse confronto onde dois indígenas acabaram restando em óbito — disse Detoni.
Cerca de 70 pessoas se envolveram no conflito, divididas entre os dois grupos. Um homem indígena foi preso durante a ação da Brigada Militar. Também foram aprendidas munições, duas espingardas calibre 12 e dois revólveres. Conforme a Brigada Militar, outros indivíduos fugiram para áreas de mata.

Além dos homens, uma mulher indígena grávida perdeu o bebê em meio ao conflito. Segundo a Brigada Militar, ela entrou em trabalho de parto e foi impedida de sair da terra indígena. Devido à uma complicação no parto, o bebê não resistiu até chegar no hospital.
— Os indígenas não estavam deixando as pessoas saírem do local e acabou tendo essa complicação no parto dessa criança — afirmou o tenente coronel.
Uma quarta vítima é um homem não indígena que atuava no motorista no local. Ele foi atingido por disparos de arma de fogo e foi encaminhado ao Hospital Santa Terezinha de Erechim, de onde já teve alta médica.
Uma criança também ficou ferida, mas com menos gravidade: pisou em cacos de vidro durante a disputa e foi atendida pelo Corpo de Bombeiros.
A Polícia Federal investiga o caso. Além disso, efetivos da Brigada Militar devem permanecer no local.
Fonte : GZH
Foto : Bombeiros Voluntários de São Valentim / Divulgação
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