Vítimas incluem três bebês, entre eles uma recém-nascida de seis dias de vida; investigação começou após PF encontrar vídeos de agressões em celulares
Foto: Denunciados teriam participado dos fatos de formas distintas.
Divulgação / Polícia Federal O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou dez pessoas por crimes de tentativas de homicídio qualificado, tortura majorada, corrupção de menores e maus-tratos a animais em Bagé, na Região da Campanha. Três tiveram as prisões temporárias convertidas em preventivas. Os demais estão soltos, sob medidas cautelares determinadas pela Justiça. As identidades deles são foram divulgadas.
As acusações envolvem agressões contra bebês, entre eles uma recém-nascida de seis dias de vida, uma criança de dois anos e um menino de 10 anos. As vítimas teriam sido submetidas a atos de asfixia, estrangulamento e outras formas de violência entre 2025 e 2026.
A denúncia foi apresentada em 16 de setembro, pelos promotores de Justiça Diogo Gomes Taborda e Pedro dos Santos Fernandes, e divulgada na quinta-feira (1º).
“Laudos periciais elaborados pelo Instituto Nacional de Criminalística atestaram que os atos de asfixia mecânica e compressão no pescoço provocaram risco concreto à integridade e à vida das vítimas, o que demonstra que os autores das tentativas de homicídio assumiram o risco de matar. Além das violências contra as crianças, foram registradas agressões e sufocamento contra dois cães”, aponta o MP.
O caso veio a público em julho, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Contra Barbariem e prendeu, temporariamente, nove suspeitos. Destes, três permanecem detidos.
A investigação iniciou após indícios encontrados em um celular apreendido em uma investigação da suspeita de fraudes no abastecimento de veículos da prefeitura de Bagé.
Na operação deflagrada, foram cumpridos sete mandados de prisão em Bagé, um em Candiota e um em Canoas, além de 12 mandados de busca e apreensão.
Conforme a denúncia do MPRS, o principal acusado teria se aproveitado de relações de parentesco, de funções de liderança religiosa e da confiança de mães que deixavam os filhos sob seus cuidados para submetê-los aos atos de violência.
Segundo o Ministério Público, ele também teria aliciado jovens e outras pessoas de seu círculo de convivência para participar das agressões e dos atos de asfixia, mediante oferta ou promessa de dinheiro.
“Além da recém-nascida, outro bebê teria sofrido episódios reiterados de violência entre os dois e cinco meses de idade. O menino de 10 anos também teria sido coagido e aliciado a participar de atos de asfixia contra o próprio irmão bebê”, menciona o MP.
Os dez denunciados teriam participado dos fatos de formas distintas, o que individualiza a conduta atribuída a cada um.
— Nos vídeos é possível a identificação de todos os envolvidos. Além disso, a PF fez oitiva de testemunhas, investigados, perícias e produziu as provas necessárias dos fatos — afirma o promotor de Justiça, Diogo Gomes Taborda.
Em pelo menos um dos casos, segundo a Polícia Federal, um dos investigados era pai de uma das crianças.
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