RS tem aumento nos casos de exploração de imagens de abuso sexual contra crianças e adolescentes - Agora Já -

RS tem aumento nos casos de exploração de imagens de abuso sexual contra crianças e adolescentes



Nesta quinta-feira, homem de 39 anos foi preso em Porto Alegre suspeito de armazenar, compartilhar e montar arquivos com uso de inteligência artificial de conteúdos com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes

Foto: Foram apreendidos na zona norte de Porto Alegre equipamentos eletrônicos, que serão periciados. Polícia Civil-RS / Divulgação
3 de setembro de 2026

Num apartamento na zona norte de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (3), a Polícia Civil prendeu um homem de 39 anos, por suspeita de armazenar, compartilhar e montar arquivos com uso de inteligência artificial de conteúdos com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes.

A ação foi conduzida pelo Núcleo de Operações Cibernéticas da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca). O caso integra um cenário de avanço desse tipo de crime no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e julho de 2026, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) registrou 139 ocorrências no Estado. Foram 62 casos envolvendo pornografia infantojuvenil e 77 de divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia, com vítimas menores de 18 anos. O número representa uma alta de 51% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 92 registros (34 de divulgação de cenas e 58 de pornografia infantojuvenil).

Durante a prisão do suspeito, a polícia apreendeu equipamentos eletrônicos: celular, tablet, computador e notebook. Os dispositivos ainda passarão por perícia mais aprofundada. No local, no entanto, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) já conseguiu identificar o armazenamento das imagens com esse tipo de conteúdo. O nome do preso não foi divulgado pela polícia.

— No momento em que aquela cena foi produzida, houve uma violência sexual real contra uma criança. No caso de hoje, nós tínhamos produção de imagens por inteligência artificial e manipulação de imagens reais por IA — enfatiza o diretor da Deca, delegado André Mocciaro.

Em relação ao aumento dos casos, alguns fatores são elencados para o crescimento, entre eles:

  • O aumento das denúncias
  • A intensificação do uso da internet pelas crianças e adolescentes
  • Melhor capacidade de investigação pelas polícias
  • Protocolos adotados pelas plataformas digitais para notificar casos suspeitos

— Então, o aumento que foi percebido nos fatos registrados sobre estes crimes se deve principalmente à atividade que a Polícia Civil, que a Deca tem desenvolvendo e as delegacias especializadas, as DPCAs por todo o Estado, de combate ao abuso sexual infantil — analisa Mocciaro.

Meninas representam a maioria das vítimas

Nem sempre é possível descobrir imediatamente a origem da imagem que está armazenada naquele dispositivo. Muitas delas circulam entre diferentes países. As vítimas identificadas tinham entre seis e 17 anos.

Um dos pontos que desperta a atenção é o fato de que as meninas representam a maioria das vítimas desse tipo de crime. Dos casos registrados em 2026, 73 eram do sexo feminino e oito masculino — ou seja, as meninas são quase 90% das vítimas identificadas.

Em relação aos autores, segundo a polícia, o perfil varia bastante. São pessoas de todas as classes sociais, todas as profissões, embora a maior parte seja formada por homens.

— É massiva a prisão e a identificação de criminosos do sexo masculino. A prisão de mulheres cometendo esse delito, ela é infinitamente inferior — afirma o delegado.

Municípios

Os 139 casos de 2026 foram registrados em 63 municípios do RS. Porto Alegre e Canoas aparecem, assim como no ano passado, no topo. Confira as cidades que tiveram mais registros:

  1. Porto Alegre 23
  2. Canoas 16
  3. Esteio 9
  4. Gravataí 5
  5. Viamão 5

Fonte: Dados Abertos da Secretaria da Segurança Pública-RS. Os dados não contemplam os números da Polícia Federal. 

Como proteger crianças nas redes:

  • Estabelecer regras de uso de internet e aplicativos
  • Orientar a não compartilhar informações pessoais pela internet
  • Explicar que deve rejeitar o contato com estranhos
  • Criar espaço de diálogo aberto e confiança
  • Monitorar o uso de dispositivos eletrônicos
  • Utilizar recursos de controle parental (ferramentas que permitem aos pais gerenciar e restringir o acesso das crianças a conteúdos digitais)

Sinais que devem despertar atenção:

  • Mudança repentina de comportamento
  • Isolamento social
  • Perda de interesse em atividades
  • Uso excessivo e secreto das redes sociais
  • Redução do desempenho escolar
  • Troca repentina de vocabulário (uso de termos ou gírias que não condizem com a idade)
  • Agressividade
  • Alteração de rotina (permanecer acordado à noite e dormir de dia, por exemplo)

Fonte: Polícia Civil-RS

Como denunciar:

  • 0800 642 6400 – Divisão Especial da Criança e do Adolescente da Polícia Civil
  • 181 – Disque Denúncia
  • 197 – Polícia Civil
  • 190 – Brigada Militar
  • Disque 100 – Disque Direitos Humanos
  • Central Nacional de Denúncias da Safernet Brasil neste link 

Em Porto Alegre

  • Ministério Público – (51) 99599-8869 (WhatsApp)
  • Juizado da Infância e Juventude – (51) 3210-7373

Fonte  : GZH 

Foto : Polícia Civil-RS / Divulgação


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