Nesta quinta-feira, homem de 39 anos foi preso em Porto Alegre suspeito de armazenar, compartilhar e montar arquivos com uso de inteligência artificial de conteúdos com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes
Foto: Foram apreendidos na zona norte de Porto Alegre equipamentos eletrônicos, que serão periciados.
Polícia Civil-RS / Divulgação Num apartamento na zona norte de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira (3), a Polícia Civil prendeu um homem de 39 anos, por suspeita de armazenar, compartilhar e montar arquivos com uso de inteligência artificial de conteúdos com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes.
A ação foi conduzida pelo Núcleo de Operações Cibernéticas da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca). O caso integra um cenário de avanço desse tipo de crime no Rio Grande do Sul. Entre janeiro e julho de 2026, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) registrou 139 ocorrências no Estado. Foram 62 casos envolvendo pornografia infantojuvenil e 77 de divulgação de cenas de estupro, sexo ou pornografia, com vítimas menores de 18 anos. O número representa uma alta de 51% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando houve 92 registros (34 de divulgação de cenas e 58 de pornografia infantojuvenil).
Durante a prisão do suspeito, a polícia apreendeu equipamentos eletrônicos: celular, tablet, computador e notebook. Os dispositivos ainda passarão por perícia mais aprofundada. No local, no entanto, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) já conseguiu identificar o armazenamento das imagens com esse tipo de conteúdo. O nome do preso não foi divulgado pela polícia.
— No momento em que aquela cena foi produzida, houve uma violência sexual real contra uma criança. No caso de hoje, nós tínhamos produção de imagens por inteligência artificial e manipulação de imagens reais por IA — enfatiza o diretor da Deca, delegado André Mocciaro.
Em relação ao aumento dos casos, alguns fatores são elencados para o crescimento, entre eles:
— Então, o aumento que foi percebido nos fatos registrados sobre estes crimes se deve principalmente à atividade que a Polícia Civil, que a Deca tem desenvolvendo e as delegacias especializadas, as DPCAs por todo o Estado, de combate ao abuso sexual infantil — analisa Mocciaro.
Nem sempre é possível descobrir imediatamente a origem da imagem que está armazenada naquele dispositivo. Muitas delas circulam entre diferentes países. As vítimas identificadas tinham entre seis e 17 anos.
Um dos pontos que desperta a atenção é o fato de que as meninas representam a maioria das vítimas desse tipo de crime. Dos casos registrados em 2026, 73 eram do sexo feminino e oito masculino — ou seja, as meninas são quase 90% das vítimas identificadas.
Em relação aos autores, segundo a polícia, o perfil varia bastante. São pessoas de todas as classes sociais, todas as profissões, embora a maior parte seja formada por homens.
— É massiva a prisão e a identificação de criminosos do sexo masculino. A prisão de mulheres cometendo esse delito, ela é infinitamente inferior — afirma o delegado.
Os 139 casos de 2026 foram registrados em 63 municípios do RS. Porto Alegre e Canoas aparecem, assim como no ano passado, no topo. Confira as cidades que tiveram mais registros:
Fonte: Dados Abertos da Secretaria da Segurança Pública-RS. Os dados não contemplam os números da Polícia Federal.
Fonte: Polícia Civil-RS
Em Porto Alegre
Fonte : GZH
Foto : Polícia Civil-RS / Divulgação
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