Das nove vítimas, apenas três tinham algum tipo de proteção judicial vigente ou solicitada. Nos demais seis casos, não havia medida protetiva
Foto: Metade norte registrou nove feminicídios até julho de 2026.
Mateus Bruxel / Agencia RBS O norte e noroeste do Estado registraram nove feminicídios em 2026, o equivalente a 20% dos 45 casos contabilizados no Estado até o momento. A área de cobertura reúne 220 municípios — cerca de 44% das cidades gaúchas.
Entre os casos registrados, um dos pontos em comum é a ausência de medidas protetivas. Das nove vítimas, apenas três tinham algum tipo de proteção judicial vigente ou solicitada. Nos demais seis casos, não havia medida protetiva.
Em dois dos casos, as vítimas chegaram a buscar proteção judicial, mas a medida não impediu o crime. Em Novo Barreiro, a vítima havia solicitado medida protetiva, porém o agressor ainda não tinha sido intimado. Em Santo Ângelo, a mulher pediu a revogação da proteção poucos dias antes de ser assassinada.
— Muitas mulheres, por medo, dependência financeira ou emocional, ainda não acessaram a rede de proteção e não pediram medida protetiva. É por isso que insistimos para que a denúncia seja feita já nos primeiros sinais de violência — destacou a diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam), delegada Waleska Alvarenga.
Segundo a delegada, a diferença nos números não indica uma característica própria da região, já que seguem o mesmo padrão observado em todo o Estado. Dos nove casos no norte e noroeste, uma das características foi a ocorrência dentro da casa da vítima.
— Os casos demonstram, na prática, o machismo estrutural que permeia a sociedade há muitos séculos. Infelizmente, ela está insegura justamente no lugar que deveria representar proteção e tranquilidade — afirma.
Outro desafio apontado é ampliar a rede de atendimento nos municípios do interior. Mais da metade dos casos ocorre em cidades com até 100 mil habitantes.
— É fundamental fortalecer a rede de proteção nesses municípios, com fluxos bem definidos, casas-abrigo e apoio para que a mulher consiga romper o ciclo da violência sem precisar voltar para o agressor — diz.
Marines Teresinha Schneider, 54 anos, foi morta a tiros após o ex-companheiro invadir a residência, localizada no bairro Cruzeiro. Ela tinha medida protetiva.
Marlei de Fátima Froelick, 53 anos, foi morta a tiros quando estava indo buscar seus pertences para sair da propriedade que compartilhava com o agressor, na linha Jogareta, localizada na zona rural do município. Ela Havia solicitado medida protetiva, mas o agressor ainda não tinha sido intimado.
Miriane Lacerda Vieira, 24 anos, foi morta a facadas pela companheira dentro da residência onde morava, no bairro São Geraldo. Não havia registros anterioresde violência nem medida protetiva.
Claudete Lucia Darui, 62 anos foi morta pelo companheiro, que depois tirou a própria vida. O caso foi registrado no bairro Rio Branco. Claudete não tinha medida protetiva contra o homem.
Marines Rodrigues, 40 anos. Morta a facadas pelo companheiro, que segue foragido. Havia histórico de violência e a vítima pediu a revogação da medida protetiva dias antes do crime. O crime ocorreu no bairro Santa Bárbara.
Ariane Padilha, 24 anos foi morta a tiros no bairro Nossa Senhora Aparecida. A investigação apontou contexto de relacionamento entre a vítima e o adolescente apreendido como autor dos disparos. Não havia medida protetiva.
Tatiane Cristina Kusniewski, 39 anos. O companheiro é o principal suspeito de matar a tiros a mulher. O crime aconteceu área rural do município. Tatiane não tinha medida protetiva.
Inês Bressiani Serafin, 68 anos. Morta a facadas em uma comunidade rural da cidade. O companheiro confessou o crime após procurar atendimento hospitalar. Não havia medida protetiva.
Glória Werkhausen, 43 anos. Encontrada morta após um incêndio atingir a casa onde morava, no bairro Florestal. A perícia identificou sinais de esganadura e descartou suicídio. O ex-companheiro foi preso suspeito pelo crime. Não tinha medida protetiva.
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