Em 2026, um em cada três novos casos da doença foi descoberto de forma tardia no município
Foto: Testagem periódica é fundamental para interromper a transmissão comunitária
Bruno Todeschini / Agencia RBS Jovens heterossexuais entre 18 e 39 anos formam a maioria dos diagnósticos de HIV, em Passo Fundo, no norte do Estado. O dado, apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde, mostra que de janeiro a agosto deste ano, a cidade registrou 56 novos casos de HIV, número inferior ao observado em anos anteriores e que contribuiu para a saída do município da lista das 100 cidades brasileiras com as maiores taxas de incidência da doença.
Apesar da redução, o diagnóstico tardio continua sendo um indicador preocupante.
Atualmente, uma em cada três pessoas diagnosticadas com HIV na cidade descobre a infecção quando o sistema imunológico já está comprometido, situação que dificulta o tratamento e aumenta o risco de complicações. O índice de diagnósticos tardios em Passo Fundo chega a 33%, percentual superior à média do Rio Grande do Sul, de 23%, e também acima da média nacional, de 27%.
O foco agora também está em garantir que o diagnóstico ocorra o mais cedo possível, permitindo o início rápido do tratamento e reduzindo as chances de evolução para quadros graves.
Por conta dessa detecção tardia e complicações do HIV, quatro pacientes já morreram neste ano:
— Como o HIV pode permanecer assintomático por períodos de 5 a 10 anos, a testagem periódica é fundamental para interromper a transmissão comunitária e evitar complicações irreversíveis. É essencial desvincular a realização do exame do conceito de “comportamento de risco”, combatendo o preconceito que frequentemente retarda o diagnóstico — disse a coordenadora do Serviço de Atendimento Especializado (SAE), Angélica Stefanello Facco.
Segundo Angélica, a melhor opção é testar para o HIV de forma frequente, incluindo o exame no check-up de rotina.
A testagem pode ser realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma gratuita, em qualquer Unidade de Saúde do município e no Serviço de Atendimento Especializado (SAE), localizado na rua Silva Jardim. Há o exame sorológico laboratorial e o Teste Rápido — que pode ser, inclusive, feito em casa.
O SUS também conta com métodos de profilaxias gratuitos. De acordo com a Secretaria, ambos foram determinantes para a queda na incidência no município. São eles:
Atualmente, cerca de 1,6 mil pessoas vivem com o HIV em Passo Fundo. A coordenadora da SAE apontou que, com o tratamento antirretroviral mantido de forma contínua, atinge-se a carga viral indetectável. Nesses casos, o vírus deixa de ser transmitido por via sexual, o que assegura a preservação da saúde individual e coletiva.
Fonte : GZH
Foto : Bruno Todeschini / Agencia RBS
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