Grupo de SP suspeito de aplicar o golpe do falso leilão de veículos em 90 vítimas é alvo da Polícia Civil gaúcha - Agora Já -

Grupo de SP suspeito de aplicar o golpe do falso leilão de veículos em 90 vítimas é alvo da Polícia Civil gaúcha



São cumpridos 15 mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão em municípios paulistas

Foto: Operação contra golpe do falso leilão de veículos cumpre 15 mandados de prisão em cidades paulistas. Polícia Civil / Divulgação
24 de setembro de 2026

Um morador de Canoas, na Grande Porto Alegre, pagou R$ 51,7 mil por um carro em um leilão online após se cadastrar em um site em abril deste ano. A vítima, no entanto, nunca recebeu o veículo. A investigação da Polícia Civil aponta que tudo fazia parte de um golpe, que já deixou ao menos 90 vítimas em diversos Estados.

Na manhã desta quinta-feira (24), uma operação é realizada pela polícia gaúcha em São Paulo. São cumpridos 15 mandados de prisão temporária e 22 de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias relacionadas ao esquema.

As ordens judiciais são executadas em Diadema, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e São Paulo. Foram presas seis pessoas durante a ação policial.

A investigação é da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, mas a Operação Lance Cego conta com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas da Coordenação-Geral de Crimes Cibernéticos, do Ministério da Justiça, e da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

— A vítima procurou a polícia quando se deu conta que foi solicitado um segundo valor, que eles alegavam que era para fins de pagamento de ICMS — afirma a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação.

Entre os alvos dos mandados de prisão estão os operadores financeiros do grupo, os suspeitos de terem negociado diretamente com a vítima e de desenvolverem o site falso.

Da negociação à descoberta do golpe

No caso do morador de Canoas, ele decidiu procurar sites de leilões como forma de encontrar oportunidades de investimento. A intenção era comprar os automóveis por valores inferiores aos do mercado e, posteriormente, revendê-los.

Durante as pesquisas na internet, a vítima encontrou o site, simulando uma plataforma legítima de leilões. Após realizar o cadastro, em abril, a vítima passou a receber mensagens pelo WhatsApp de um número com DDD 61. O golpista se apresentava como responsável pelo leilão.

— A vítima passa a se comunicar com essa pessoa que se dizia leiloeiro da plataforma. Alguns dias depois, a vítima se interessa por um veículo e arremata — conta a delegada.

Dias depois, os criminosos informaram à vítima que ela havia vencido a disputa do Nissan Kicks Sense 1.6 2024. Na sequência, foi encaminhado um suposto termo de arrematação, com dados pessoais da vítima, informações sobre o veículo, valores e instruções para o pagamento.

Segundo a delegada, os criminosos utilizavam plataformas eletrônicas que simulavam sites profissionais de leilões, documentos falsificados e uma sofisticada abordagem por telefone e aplicativos de mensagens.

— A abordagem era cuidadosamente construída para transmitir credibilidade. Havia protocolos de atendimento, mensagens de áudio, orientações formais e utilização de linguagem institucional. Tratava-se de uma fraude estruturada para aparentar uma negociação legítima — explica Luciane Bertoletti.

Convencido de que havia comprado o veículo de forma legítima, ele realizou, naquele mesmo dia, uma transferência bancária de R$ 51.739,80 para a conta indicada pelos suspeitos. Depois de receberem o dinheiro, os criminosos exigiram novo pagamento, desta vez no valor de R$ 5.711,00, sob a justificativa de que seria necessário recolher ICMS para liberar o veículo. Foi nesse momento que a vítima desconfiou da negociação e procurou a polícia.

Cerca de R$ 1 milhão em prejuízo

Até o momento, a investigação identificou que os prejuízos atribuídos às fraudes chegam a aproximadamente R$ 1 milhão. Foi possível identificar ainda uma divisão de tarefas que indica uma estrutura organizada, com diferentes integrantes desempenhando funções específicas dentro do esquema.

— Identificamos quase uma centena de vítimas, espalhadas em diversos Estados. A movimentação das contas bancárias desses indivíduos é vultuosa, em períodos muitos curtos. Indivíduos que não tinham condições de estar movimentando aquelas quantias em dinheiro — diz a delegada.

Ao longo da investigação, foram identificados os suspeitos de abordar as vítimas — pessoas que, segundo a polícia, seriam encarregadas de estabelecer contato com os alvos, apresentar o falso leilão e convencê-los a realizar os pagamentos —, bem como aqueles que administravam a parte financeira do grupo.

Um dos investigados já havia sido abordado em outra apuração enquanto transportava uma quantia em dinheiro. Naquela ocasião, ele teria admitido que realizava saques de valores provenientes de golpes praticados por comparsas. A página falsa, neste momento, já está suspensa.

Fonte : GZH 

Foto : Polícia Civil / Divulgação


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