Indústria de Centenário transforma o líquido em concentrado, guarda em câmara fria e exporta para o mercado europeu
Foto: Produto pode ficar armazenado em baixas temperaturas por até dois anos.
Gabriele Kissel / Divulgação Uma laranja colhida no norte gaúcho pode percorrer milhares de quilômetros até chegar à mesa de consumidores na Europa sem perder o seu gosto natural. Esse é o objetivo de uma indústria localizada em Centenário, município de 2,7 mil habitantes do norte gaúcho.
A empresa Citro Sul transformou essa cadeia produtiva em um negócio de grande alcance ao converter o suco da fruta em um concentrado de alta durabilidade, capaz de ser armazenado por até dois anos em temperaturas negativas sem adição de conservantes.
Todos os dias, cerca de 12 toneladas de suco concentrado saem da fábrica. A maior parte da produção cruza o oceano rumo ao mercado europeu. Para manter esse ritmo, a indústria depende da produção de citricultores espalhados por cerca de 60 municípios da região.
A jornada começa antes mesmo do amanhecer, com a chegada das cargas de laranjas à unidade industrial. Com capacidade para processar até 20 toneladas de frutas por hora, a fábrica inicia um processo que combina tecnologia e controle de qualidade para transformar a matéria-prima em um produto apto a competir nos mercados mais exigentes.
Depois do descarregamento, as laranjas seguem por esteiras até as etapas de seleção e lavagem. Antes de entrarem na linha de produção, amostras são coletadas para garantir a qualidade do produto final.

Os testes avaliam fatores como teor de açúcar, nível de acidez e condições microbiológicas da fruta, parâmetros essenciais para assegurar a padronização e a segurança do concentrado que será exportado.
Na primeira etapa da linha de produção é feita a retirada de impurezas como folhas, galhos ou frutas estragadas.
— Vai passar pelas escovas que farão a lavagem da fruta e a partir disso entra para a área de extração. No setor de extração é onde a gente vai segregar toda essa matéria-prima — explica o gerente da fábrica, Vitor Gabriel Sliwinski.
Na parte da extração, as frutas são espremidas. De um lado sai o suco integral e do outro o bagaço, que serve como alimentação animal. O líquido passa para os evaporadores, onde acontece a retirada da água do suco para deixá-lo concentrado.
Segundo Tiago Souza, coordenador de produção, uma caldeira é responsável por gerar o vapor que é enviado aos evaporadores. Nessas estruturas são utilizadas alta pressão e temperatura ao longo de cinco estágios para obter o produto.
— Durante esse processo, evapora a água do produto e ocorre a concentração. Normalmente a gente trabalha sob um vácuo para chegar na evaporação. É muito importante para o suco, pois ajuda a reduzir danos térmicos, preserva a característica do produto e controla a qualidade — explica Souza.
Depois de concentrado, o suco é enviado por tubulação para um tanque de homogeneização e resfriamento antes de ser envasado. A bebida é armazenada em tonéis que ficam em uma câmara fria com temperaturas negativas. Sliwiski explica como o produto natural pode ficar conservado por até 24 meses sem congelar.
— Dentro do padrão de comércio, é um suco que não tem conservante. A gente só submete a concentração, retira a água e envasa. O que garante a conservação é justamente a temperatura. A câmara fria tem temperaturas entre -15ºC e -18ºC — explica o gerente da fábrica.
Fonte : GZH
Foto : Gabriele Kissel / Divulgação
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