Promotor de Justiça indica que três dos denunciados participaram da identificação do local da operação e quatro atuaram diretamente na ação que resultou nos disparos
Foto: Marcos Nörnberg foi morto na madrugada de 15 de janeiro.
Divulgação / Arquivo pessoal Após a conclusão do inquérito da Polícia Civil, que indiciou sete policiais militares na ação que terminou na morte do agricultor Marcos Nörnberg, em janeiro, em Pelotas, o Ministério Público gaúcho ofereceu denúncia contra eles, nesta sexta-feira (23). Além da morte de Marcos Nörnberg, eles são acusados de tentativa de homicídio de Raquel Nörnberg, viúva de Marcos, que testemunhou a ação daquela madrugada.
O promotor de Justiça Frederico Carlos Lang ofereceu denúncia indicando que três dos denunciados participaram da identificação do local da operação e quatro atuaram diretamente na ação que resultou nos disparos. A denúncia também pede que os acusados sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri, além da perda dos cargos públicos e a fixação de indenização aos familiares da vítima.
De acordo com o MP, os sete são acusados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificada também pelo recurso que dificultou a defesa das vítimas. Conforme destacou o promotor, “as vítimas foram surpreendidas e atacadas durante a madrugada, no interior da residência, sem possibilidade de reação eficaz ou fuga”.
Os laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) mostraram que os policiais atiraram dez vezes antes de qualquer reação do agricultor, enquanto os advogados dos brigadianos defendiam a tese de legítima defesa.
O inquérito policial militar instaurado pela BM concluiu pela inexistência de crimes militares. Na época, o Ministério Público contestou o entendimento e solicitou novas diligências policiais. Depois disso, foi feita uma reprodução simulada daquela madrugada, o que deu subsídios para a Polícia Civil concluir a investigação.
Marcos Nörnberg foi morto na madrugada de 15 de janeiro, dentro de casa, durante uma operação da Brigada Militar, em Pelotas. Os policiais buscavam integrantes de uma quadrilha após receberem informações de suspeitos presos no Paraná sobre a localização do grupo.
A indicação levou os agentes até a propriedade da família Nörnberg, na Estrada da Cascata. Durante a entrada no imóvel, o agricultor foi atingido por pelo menos sete tiros disparados por policiais militares.
A conclusão do inquérito da Polícia Civil é diferente da apresentada anteriormente pela Brigada Militar. Em abril, a corporação concluiu que a atuação dos policiais envolvidos na operação não configurou crime, embora o então comandante-geral, Cláudio Feoli, tenha reconhecido que houve um “grande equívoco” na ação.
Fonte : GZH
Foto : Divulgação / Arquivo pessoal
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