Mesmo com enchentes, crescimento no RS foi superior à média nacional, de 3,4% no ano passado
O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul cresceu 4,9% no ano de 2024, mesmo com os efeitos das enchentes. No geral, o crescimento gaúcho foi superior à média nacional, de 3,4%. O valor corrente do PIB no ano passado foi de R$ 706,8 bilhões, representando 6,02% do PIB nacional, sendo que em 2023, o RS tinha uma fatia de 5,9% no índice geral do Brasil.
O PIB per capita foi de R$ 62.941, variação real de 4,8%, e 13,9% superior ao PIB per capita brasileiro. O crescimento foi, segundo o DEE, impulsionado pela agropecuária, cujo aumento foi de 35% no RS, elevado pelo desempenho da soja, que teve boas safras no primeiro e segundo trimestres, além do trigo, milho e arroz, enquanto no Brasil, houve queda de 3,2%.
Os números foram divulgados em coletiva de imprensa com o governador Eduardo Leite, da secretária Estadual de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), Danielle Calazans, e técnicos do Departamento de Economia e Estatística (DEE) na manhã desta quinta-feira, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Período com menos influência das inundações, o quarto trimestre do ano passado em relação aos três meses anteriores apresentou aumento de 1%, e com relação ao mesmo trimestre de 2023, houve um crescimento de 4,4%. O comércio cresceu no RS 2,4% e no Brasil, 0,3%.
“As medidas diversas do governo do Estado, associadas às do governo federal, conseguiram garantir um processo de crescimento, ainda que em um contexto absolutamente adverso que tivemos no ano passado”, salientou Leite.
“Vemos de forma sustentável que as medidas emergenciais, aquelas que chegaram rapidamente e mantiveram o poder de compra da população, fez com que, ao menos, não se perdesse aquilo que estava previsto”, acrescentou Danielle. A indústria gaúcha teve uma queda de 0,4%, contra um aumento de 3,3% no país, sendo que a indústria de transformação caiu 2,5%.
Os destaques positivos foram o aumento de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (16,8%), justificada por não haver no ano passado uma parada técnica na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), algo que ocorreu em 2023, móveis (11%), pela reconstrução das residências após as enchentes, e produção de celulose (6,3%), em parte pela ampliação da operação da CMPC, principal empresa do setor no RS. As maiores quedas foram em máquinas e equipamentos (-18,8%), bebidas (-13,2%) e veículos automotores (3,2%) tiveram as maiores quedas, ainda com efeitos das inundações, estiagens e preços mais altos no Brasil em relação ao mercado internacional e inclusive a parada técnica ocorrida em 2024 na GM, em Gravataí.
Já o segmento de serviços cresceu 3,5%, próximo do registrado na média nacional (+3,7%). Para 2025, os técnicos afirmaram ser “difícil” fazer projeções, ressaltando, por exemplo, que o plano tarifário do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgado na última quarta-feira, com o estabelecimento de tarifas para o Brasil e outros países, é visto com cautela pelo governo.
Efeitos do “tarifaço” de Trump
“Estamos acompanhando o cenário internacional e vimos estas divulgações (das tarifas). Os Estados Unidos são o segundo país para onde mais fazemos exportação de média e alta complexidade”, salientou o diretor do DEE, Pedro Zuanazzi. “As probabilidades de recessão norte-americana e de um menor crescimento mundial se elevaram bastante, mas é um quadro ainda muito incerto. Não se sabe o efeito que isto terá sobre a economia global, mas, com certeza, impactará a economia brasileira e o governo, consequentemente”, disse o técnico Martinho Lazzari.
É consenso que, são houvesse as enchentes, o Rio Grande do Sul poderia experimentar um crescimento maior. Leite disse ainda que o Plano Rio Grande, a fim de promover a resiliência do Estado, já aportou quase R$ 7 bilhões em projetos, e que uma agenda é buscada para a próxima semana com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a fim de buscar melhores soluções para o setor agropecuário gaúcho, em um contexto de estiagem em curso.
“Temos um plano, mas ele resolve no curtíssimo prazo, apontando no médio e longo prazos o caminho para que nosso Estado seja resiliente. É importante que consigamos, junto à União, um programa de refinanciamento das dívidas dos produtores rurais, porque o produtor é um bom pagador, mas, justamente preocupado em pagar corretamente seus compromissos, ele deixa de investir, e assim, nosso PIB é afetado.”